Mostrando postagens com marcador Compositores Brasileiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Compositores Brasileiros. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

“Heitor Villa-Lobos – O Caminho Sinuoso da Predestinação”

LANÇAMENTO DE LIVRO E CD-ROM MARCA
AS COMEMORAÇÕES DOS 50 ANOS DE MORTE DE VILLA-LOBOS


Heitor Villa-Lobos, músico nascido no Rio de Janeiro em 1887, é considerado um dos maiores compositores da música erudita do século XX. Em 17 de novembro ocorre a passagem do cinqüentenário de morte deste que se impôs como o grande nome da música erudita de caráter nacional. Festividades em todo o Brasil irão celebrar Villa-Lobos durante todo o mês.
Em Curitiba, Villa-Lobos será homenageado com o lançamento da segunda edição do livro “Heitor Villa-Lobos – O Caminho Sinuoso da Predestinação” e um CD-ROM de mesmo título, de autoria do doutor em Antropologia Social Paulo Renato Guérios. A obra traz o selo da Parabolé – Educação e Cultura e está sendo integralmente subsidiada pela Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Curitiba. O incentivo é da Companhia de Informática do Paraná - CELEPAR.
O lançamento foi no dia 23 de novembro, segunda-feira, às 19h, na Livraria Dario Vellozo.
Na terra natal do compositor, a cidade do Rio de Janeiro, o livro e o CD-ROM foi lançado, dia 25, dentro de uma extensa programação do Festival Villa-Lobos 2009, realizado pelo Museu Villa-Lobos.Em São Paulo, o livro e o CD-ROM foi lançado esta semana no MASP, como parte da programação do Simpósio Internacional Villa-Lobos, promovido pela Escola de Comunicação e Artes da USP.

O LIVRO E O CD-ROM
A publicação do livro “Heitor Villa-Lobos – O Caminho Sinuoso da Predestinação” preenche uma lacuna no campo da história da música erudita no Brasil porque é pioneira ao abordar a trajetória de vida de Villa-Lobos em um estudo profundo de caráter sócio-antropológico, realizado a partir de uma pesquisa extensa e minuciosa em fontes primárias de vários arquivos encontrados na cidade do Rio de Janeiro. O livro recria os diversos universos sob os quais se tornaram possíveis as criações musicais de Villa-Lobos e permite uma análise substancial de sua obra.
A primeira edição, lançada em 2003 pela Editora FGV (Fundação Getúlio Vargas) e esgotada já há vários anos tornou-se imediatamente, de acordo com a opinião da crítica acadêmica e musical, uma das principais referências sobre a vida do compositor.
Esta reedição tem encontro marcado com estudiosos, músicos, instrumentistas, estudantes, educadores e apreciadores da música erudita. O livro vem acompanhado de um CD-ROM com versões em inglês e espanhol. A multimídia permite uma viagem por imagens e sons com o objetivo de integrar, ilustrar, resumir e apresentar de forma didática o conteúdo do livro. Além de textos, fotos, partituras e trechos de músicas de Villa-Lobos, o CD-ROM permite ainda a comparação imediata de algumas de suas músicas com composições de Debussy, de Stravinski e de músicas indígenas.
“Este trabalho foi construído a partir do estudo de cada um dos domínios da realidade que infletiram a trajetória de Villa-Lobos: suas origens familiares; as características sociais e políticas de cada ambiente em que ele se movimentou; as características e os valores atribuídos a diferentes estéticas musicais em diferentes locais e momentos dos quais ele participou; as idéias expressas a seu respeito por críticos e por pessoas que com ele conviveram em jornais e em publicações do meio musical; suas reações a esses escritos; e, evidentemente, uma fonte de informações privilegiada: a análise das técnicas e idéias musicais por ele agenciadas em suas composições”, revela Guérios. E acrescenta: “O discurso musical de Villa-Lobos, ao mesmo tempo em que constitui uma das mais belas produções da música erudita ocidental, constitui também uma expressão de seus projetos, de seus anseios sociais, da posição que ele ocupava em seu meio e de seus esforços para determinar tal posição”.
A tiragem desta segunda edição será de 1.000 exemplares do livro com CD-ROM e 1.000 exemplares do CD-ROM avulso. Ou seja, serão dois produtos distintos que poderão ser comercializados separadamente. Inicialmente, será possível adquirir a obra pelo site da Parabolé (www.parabole.com.br).


HEITOR VILLA-LOBOS

Heitor Villa-Lobos é considerado de modo praticamente unânime o maior compositor erudito nascido no Brasil. Bastante prolífico (é impossível precisar o número total de suas obras, mas as especulações sugerem cerca de 1500), ele transformou-se no grande representante do que seria uma “música clássica brasileira”.
Sua obra, conhecida mundialmente por sua intenção de retratar musicalmente o caráter nacional brasileiro, correspondeu a uma expectativa social pelo nascimento de uma música nacional que fosse reconhecível como a música brasileira por excelência. Villa-Lobos exerceu forte influência sobre a produção musical brasileira a partir da década de 30, mas seus esforços foram além da experiência de compositor. No governo de Getúlio Vargas, foi responsável pelo maior projeto de Educação Musical já realizado no Brasil. No cenário internacional da música erudita, é considerado um dos maiores compositores do século XX.
              Em qualquer livro de história da música, ele é quase sempre o único compositor brasileiro a ser citado. Para atingir tal reconhecimento, percorreu um longo caminho, e não dependeu unicamente de seu talento, mas construiu ativamente sua carreira. Segundo o autor, “Este livro é um estudo da trajetória de vida de Heitor Villa-Lobos, no qual o leitor tem uma visão privilegiada do compositor a partir dos bastidores: não sob as luzes do palco ou sobre o pedestal da glória, mas instalando os refletores e construindo o monumento, auxiliado por pessoas dos meios mais diversos”.

 
O AUTOR
Paulo Renato Guérios é doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná. Seus trabalhos têm como foco a "construção social da pessoa", e suas pesquisas tratam da Antropologia da Memória, da Sociologia da Arte e das relações humanas em ambiente de trabalho.
“Heitor Villa-Lobos – O Caminho Sinuoso da Predestinação” é baseado em sua dissertação de mestrado, defendida junto ao Museu Nacional/UFRJ, em 2001.


SELO PARABOLÉ


A Parabolé Educação e Cultura concebe e realiza projetos culturais que apresentam interesse educacional e social. Suas ações promovem a identificação, a divulgação e o reconhecimento da cultura brasileira nos mais diversos ambientes. Seus serviços são oferecidos a instituições de ensino, grupos de pesquisa, secretarias municipais e estaduais de educação e cultura. Seus produtos são destinados a estudantes, educadores, pesquisadores e a todos os interessados em arte, cultura e educação. “Heitor Villa-Lobos – O Caminho Sinuoso da Predestinação” é o primeiro livro contemplado pelo selo Parabolé.

FICHA TÉCNICA:
O projeto de lançamento do livro e do CD-ROM conta com a coordenação editorial de Mônica Drummond, design gráfico de Adriana Alegria e direção do pesquisador e produtor musical Nélio Eduardo Spréa.

CRÍTICAS:
“[O livro] é um trabalho de crítica cultural, desempenado, abrangente, curioso,
cuja inteligência sociológica enfrenta a questão crucial das matrizes musicais das
composições de Villa-Lobos, das etapas de seu projeto de criação artística, sem
descurar da teia de relações e interações em meio às quais o personagem foi
adquirindo rosto, personalidade e projeção”.
Sérgio Miceli, professor titular de Sociologia da Cultura – USP.

“Villa-Lobos reescreveu-se dezenas de vezes, ao sabor das circunstâncias – e a
desmontagem cuidadosa dessas peças de ficção constitui a maior das qualidades
deste estudo de Paulo Renato Guérios. O livro é um divisor de águas”.
João Marcos Coelho, jornalista, editor e crítico musical, colaborador de O Estado
de São Paulo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

P.Q.P.Bach - Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959) - Quartetos de Cordas I

O P.Q.P Bach é hoje, uma grande fonte de música erudita e brasileira.

A tempos, temos começado uma busca incessante do material escrito para Quarteto de Cordas. Sobretudo, buscamos também fontes de gravação.Surpresa grata foi encontrar o P.Q.P Bach.
No blog você poderá encontrar um grande acervo de compositores, interpretes, orquestras.
Além de contar com comentários e descrições muito boas sobre os albuns ali postados.

Repito - Guarde esse endereço!

Deixo aqui o 1° post dos Quartetos de cordas de Villa-Lobos.

Link para esta postagem no título abaixo:

Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959) - Quartetos de Cordas I

Se for mesmo brasileiro, você baixará, ouvirá e comprará este grande CD que atualmente pode ser obtido inclusive em mp3. O Quarteto Bessler-Reis realiza notável trabalho interpretando os quartetos de Villa. Não é um CD rotineiro ou esquecível, é algo que demonstra perfeita intimidade com a obra, algo de que deveríamos nos orgulhar de ter após tantas gravações insatisfatórias - às vezes desafinadas - de nosso maior compositor. Certamente, esta é uma das melhores postagens que realizamos até hoje. Abaixo, copiei para vocês o excelente texto de Michel Bessler que retirei do site da Kuarup.

*** o texto integral no blog P.Q.P. Bach***

É pois bastante recente o interesse pela produção villa-lobiana de câmara, apesar desta abranger um terço de toda a sua obra, que conta oficialmente com 1.500 partituras já catalogadas (e outras 300 de que se tem notícia porém não se localizou a parte escrita). São 27 duos, sete trios, 20 quartetos, quatro quintetos, dois quintetos duplos, dois sextetos, dois septetos, três octetos, um noneto, e uma infinidade de peças avulsas para canto com acompanhamento, pequenas formações orquestrais e/ou corais, e suas obras para piano solo (229 peças) e violão solo (41 peças). Além da obra pianística e violonística, dos Choros e Bachianas de câmara e das canções mais conhecidas, esta gravação da integral dos seus 17 Quartetos de Cordas tem contribuído para desvendar este “outro lado de Villa-Lobos.”

O interesse do Quarteto Bessler-Reis pelos Quartetos de Villa-Lobos existe desde sua criação em 1978, quando buscava um autor brasileiro que reforçasse a identidade do conjunto. Chegou a gravar o 1º e o 5º pela EMI-Odeon, e o registro da integral sempre foi seu desejo desde esta época.

*** o texto integral no blog P.Q.P. Bach***

Neste mergulho dentro da obra deste compositor absolutamente original, no início tudo estava por se descobrir. A própria cultura quartetística, primordialmente haydniana, serviu pouco para compreender e transmitir a linguagem musical deste louco genial, apesar dos quartetos de Haydn terem sido o estopim de sua paixão pelo gênero.

A primeira leitura das partituras (acadêmicas na escrita e indicações) surpreende pela forma nada convencional, assim como sua primeira audição certamente surpreende a muitos ouvintes. Mas quanto mais se convive com estas peças, mais se descobre que sua lógica é extremamente complexa mas é lógica, que seu caos aparente é muito mais a recusa da forma que o desconhecimento dela.

É bem verdade que Villa-Lobos não era exatamente um perfecionista. Escrevia caudalosamente, todos os dias, em qualquer situação. Os amigos deixavam suas crianças para Villa tomar conta, e em meio delas, com o rádio ligado, ele escrevia música, com as partituras espalhadas pelo chão.

*** no post voce vê integralmente a descrição de cada quarteto ***

Existia pouca referência estética anterior sobre a interpretação destes quartetos, pois as gravações realizadas, com honrosas exceções, ou estavam impregnadas pelos maneirismos típicos da época ou foram feitas por conjuntos com pouca ou nenhuma referência cultural brasileira. Nos mêses em que o Quarteto deu início à preparação destas gravações, o espanto inicial foi dando lugar a uma compreensão cada vez mais íntima, na medida em que seus membros, três deles brasileiros com vivência da nossa riquíssima música popular, foram aos poucos se identificando às fontes de inspiração de Villa-Lobos.

Estas estão impregnadas pela música popular urbana, sobretudo pela seresta e pelo choro do Rio de Janeiro. Muitas estruturas rítmicas vêm do samba negro. Outras presenças fortes são os temas folclóricos do Nordeste, com as escalas modais dos seus menestréis. E o lado cênico da música: Villa-Lobos procura criar inúmeros ambientes sonoros diferentes que evocam ora uma floresta tropical ora o que ele achava que devia ser o ambiente dançante numa taba de índios primitivos.

Tocou muito violoncelo, inclusive para sobreviver em certa fase de sua vida, e guardou um carinho muito especial por este instrumento, o que se nota com bastante clareza nestas peças. Como instrumentista de corda e profundo conhecedor de seus recursos, ele não poupa os executantes. A complexa poliritmia utilizada em vários quartetos, o caráter contrapontístico e o virtuosismo técnico tornam essas obras difíceis em sua execução, exigindo um penoso preparo de cada um dos membros do quarteto. Este conjunto de obras foi composto no decorrer de toda sua vida, em 4 períodos: os quatro primeiros quartetos de 1915 a 1917; o quinto em 1931, depois de um intervalo de 14 anos; o sexto em 1938; e a partir de 1942 levou 15 anos para escrever os outros 11. Morreu em 1959, deixando escritos alguns compassos de um 18º quarteto, e diversas declarações públicas de que seus quartetos eram a melhor coisa que ele tinha escrito.

*** o texto integral no blog P.Q.P. Bach***

*Textos acima citados - Michel Bressler - Obra quartetística de Villa-Lobos/ Comentários sobre os Quartetos de Villa-Lobos

** Quartetos de villa-Lobos gravados pelo Quarteto Bressler-reis

Villa-Lobos - Quartetos de Cordas 1 2 3 - Quarteto Bessler-Reis
Quarteto Bessler-Reis:
Bernardo Bessler (1º violino),
Michel Bessler (2º violino),
Marie-Christine Springuel (viola),
Alceu Reis (violoncelo)

Link: P.Q.P.Bach - Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959) - Quartetos de Cordas I

Recados Importantes

Recado do blog do Quarteto Pantalla

A intenção não é copiar o blog P.Q.P Bach. Mas sim torná-lo o mais conhecido possível. Quanto mais facilitarmos o acesso e/ou divulgarmos bons, sites, bons blogs, enriquecemos culturalmente a rede.
Trouxemos apenas alguns posts para conhecimento do nosso público.

Nosso compromisso é valorizar a cultura brasileira. Sobretudo, a musica brasileira. Sendo assim, temos como obrigação divulgar o trabalho de grandes compositores e músicos para o público em geral.



Recado do BLOG P.Q.P BACH

P.Q.P. Bach faz questão de assegurar que não quer mal a ninguém e que este blog tem caráter estritamente cultural. Nosso propósito é o de difundir e compartilhar o prazer de ouvir boa música. Se, por algum motivo, alguém se sentir ofendido ou prejudicado com o conteúdo de algum post, avise-nos para que ele seja retirado. O site não hospeda arquivos de música e os links têm prazo de validade limitado. Aos que baixarem os arquivos sugerimos que, se gostarem do que ouviram, façam como P.Q.P. Bach: adquiram os álbuns em lojas ou sites especializados, caso não estejam fora de catálogo.

Link: BLOG P.Q.P BACH

P.Q.P BACH - Fantasia para orquestra de Cellos ( Villa-Lobos)

O P.Q.P Bach é hoje, uma grande fonte de música erudita e brasileira.

No blog você poderá encontrar um grande acervo de compositores, interpretes, orquestras.
Além de contar com comentários e descrições muito boas sobre os albuns ali postados.

Guarde esse endereço!

Segue a postagem e o link sobre:

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) - Fantasia para orquestra de cellos

A Fantasia para orquestra de cellos é uma das melhores obras de Villa-Lobos. Difícil aceitar que seja tão ignorada. Acredito que essa gravação, realizada pelo próprio mestre, é a única existente (não existe nenhuma outra informação sobre a gravação). Mas apesar do som variar entre ruim e regular, a interpretação é absolutamente vigorosa e emocionante. O segundo movimento está entre as mais lindas páginas da música. O terceiro movimento tem uma força absurda e cheiro de Brasil. Música de primeira categoria.

Além disso, as transcrições de alguns movimentos do cravo bem-temperado de Bach para orquestra de cellos são de arrancar lágrimas.

Um disco imperdível.

CDF

Faixas:
1. Fantasia: 1º Movimento: Alegretto
2. 2º Movimento: Lento
3. 3º Movimento: Allegretto Scherzando - Molto Alegre
4. From Well-Tempered Clavier: Prelúdio Nº 22
5. Fuga Nº 8
6. Prelúdio Nº 14
7. Fuga Nº 1
8. Prelúdio Nº 8
9. Fuga Nº 21

Performed by The Violoncello Society
Villa-Lobos (conductor)

FONTE: P.Q.P Bach (link para o blog)

Bidu Sayão canta Villa-Lobos

Bidu Sayão - Aria (Cantilena) - Bachiana nº 5

mais popular das melodias villa-lobianas, nitidamente inspirada nas serestas, foi composta em 1938, com texto de Ruth Valadares Correa e dedicada a Arminda Villa-Lobos. Ruth Valadares Correa - que era também cantora - foi responsável pela estréia da obra, em 1939, sob a regência de Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Grandes cantoras gravaram a "Ária" (ou "Cantilena") da "Bachianas Brasileiras Nº 5" como Bidu Sayão, Victoria de Los Angeles (ambas sob a regência de Villa-Lobos), Anna Moffo, Arleen Auger, Barbara Hendricks, Eva Marton, Galina Vischnevskaya, Joan Baez, Jill Gómez, Kathleen Battle, Kiri Te Kanawa, Maria Lucia Godoy e Renée Fleming, entre tantas outras. Esta obra possui ainda um 2º movimento, "Dança" (subtitulada "Martelo"), com texto de Manuel Bandeira.

Fonte: Museu Villa-Lobos


Villa-Lobos fala sobre sua Música e sobre o Brasil

Compositor fala de sua vida, música e de seu país.

João Pessoa, 1951.

Confira os vídeos postados abaixo.

Villa-Lobos Fala - Parte 1





Villa-Lobos Fala - Parte 2




Texto falado traduzido para o inglês.

In English:

Brazil has, by nature, the geographical form of a heart. Every Brazilian has this heart. Music goes from one soul to another. Birds talk through music. They have a heart. Everything we feel in life is felt in our hearts. The heart is life's metronome. And there's a lot of people who forget this. A metronome is what humanity needs most. If there was someone who could implant a metronome at earth's core, maybe we'd be closer to peace. People misunderstand each other. Races and peoples live mismatched, because they don't remember the metronome they keep in their bodies: the heart. God gave Brazil this geometrical form of a heart. And there's a throbbing rhythm in all countrymen, especially those from the northeastern region: this sense of rhythm, heart, this unit of movement, this sensitive metronome. My friends, it was with this thought I became a musician. It was because of this I became a deep and eternal slave of this country's things. And I don't have any special gift for speaking or writing, but I do have a gift for sounds and rhythm. And I transcribe in sounds and rhythm this crazy love I have for my nation. This is my presentation. This is, in principle, the justification of all I've been doing for Brazil so far. I apologise for talking a little about my life, regarding Brazil. But it's necessary, because it may be useful to the youngers, in case they follow the same track, the same destiny God gave me. I've never looked for culture, erudition or knownledge in books, doctrines, theories or orthodox forms. Never! Because my only book was Brazil. Not the map of Brazil, but this country's ground, where I tread, walk, roam. Every man I find in Brazil represents an aesthetical form in musical conception. Every bird that sings to my ears is a theme that gathers other themes, invisible and abstract themes that become music, art music. Art that is free as our nature. An independent art, just like Brazil's birds. Sentimental art, like our countrymen. My music is a reflex of sincerity. I grieved at the beginning. Well, it's natural. It was a revolt from those who were attached to tradition; those who could not even find themselves; those who never looked at the mirror of their consciousness, seeking the physiognomy of their own race. Brazil spent a lot of time, my friends, many years imitating. But, thank God, sought a mirror, or found by chance the reflex of a big nation's reality. They could never be themselves if they hadn't done it their way, without imitating anybody. And this was done with ordinary things like fashion. And even in literature! See the poets, for instance. The Parnassians and even modern poets. See paintings, old and modern. See sculptures, this art that is significant in Brazil like no other. See? They've found themselves, they found their way. Brazil finds its way. Unfortunatelly, our population is small if compared to the greatness of our land. But we find our way. And all that suits so well my life's penitence.

Crônica póstuma a Villa-Lobos

"Era um espetáculo. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado o fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então percebia que era música, sempre fora música".

Crônica de Carlos Drummond de Andrade publicada quando Villa-Lobos morreu.

Villa-Lobos morreu de câncer, em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.

"Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade, sem esperar resposta."
Heitor Villa-Lobos


terça-feira, 14 de julho de 2009

Heitor Villa-Lobos


No Brasil e no mundo, Villa-Lobos está sendo homenageado pelo seu cinquentenario de morte.Ele foi considerado, ainda em vida, o maior compositor das Américas, Heitor Villa-Lobos compôs cerca de 1.000 obras e sua importância reside, entre outros aspectos, no fato de ter reformulado o conceito brasileiro de nacionalismo musical, tornando-se seu maior expoente. Foi, também, através de Villa-Lobos, que a música brasileira se fez representar em outros países, culminando por se universalizar.

"Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que eu transponho instintivamente para tudo que escrevo."
Heitor Villa-Lobos



Em uma entrevista, em Nova York, Villa-Lobos foi perguntado sobre o uso de melodias indígenas em sua música. Ele respondeu que usava, sim, mas que eram melodias tão antigas que os índios atuais não as conheciam.

Pergunta: "Se as melodias foram esquecidas pelos índios de hoje, como o senhor conseguiu entrar em contato com elas?".

Villa-Lobos, rápido: "Pelos papagaios. Os papagaios brasileiros ouviram
essas melodias há muitos anos e não as esqueceram. Eles vivem até uma idade muito avançada. Ouvi os papagaios e anotei as melodias".

A anedota caracteriza bem o temperamento do compositor e também ilustra o tom da biografia "Heitor Villa-Lobos: A Life (1887-1959)", lançada no ano de 2002 nos EUA pela Scarecrow Press, conforme reportou o jornalista Irineu Franco Perpetuo para Ilustrada da Folha de São Paulo. O escritor David Appleby relatou após suas analises que "Villa-Lobos criou o reconhecimento internacional da música brasileira que tornou possível o sucesso, mais tarde, da música popular brasileira", colocando-o como um precursor de Tom Jobim, Caetano Veloso e Chico Buarque. "Villa-Lobos não ligou para diferenças estilísticas entre música clássica e música popular", afirma. "Tentou exprimir a alma brasileira com as idéias dele, formulando seu estilo individual."




Fontes:
Museu Villa-Lobos
Irineu Franco Perpetuo - free-lance para Folha de São Paulo
Heitor Villa-Lobos


Related Posts with Thumbnails